terça-feira, 13 de abril de 2010

Achada


Não... Eu não espero que tudo dê certo (sempre), um pouco até pelo contrário, gosto de me agarrar a poucas possibilidades. Revirando alguns papeis encontrei aquela carta que eu ia te enviar e não enviei. Nem me lembro porque, nem me lembro se tinha intenção de enviar. Às vezes escrevo assim, só pra ver como ia ficar. De qualquer forma a carta já bem marcada pelas dobras, falava de coisas que já nem me lembrava, e até acho bom, sinal que o tempo é mesmo tudo aquilo que falam. Aquela amizade que era tão bonita e que depois se tornou isso que é hoje, não merecia mesmo aquela carta, não merecia as letras garrafais que dizia: “amizade eterna” e “te amo de verdade”. A vida passa e o cheiro do passado arde às narinas, dia sim, dia não. O bom da vida é esse erro constante em que nos metemos, ou o acerto constante que não promove nada. Eu realmente não espero, ou espero por tanto tempo que já nem considero que seja uma real espera.

A carta que eu li, não representava de fato o passado, eu contive as palavras para não parecer dada ao sentimentalismo. Mas agora ela já não faz sentido, porque nem aquelas palavras contidas se aproximam da minha falta de sentimento atual. Hoje já não sinto nada e nem me faz falta. Depois de recordar bem e a lembrança retornar viva, pensei e tive certeza que nada daquilo que vivi era vida que devia ser vivida. Não era vida. A gente sente falta por querer sentir falta, mas se for analisar a realidade, não tem falta nenhuma. Pensando assim fica mais fácil viver. Tenho tentado descomplicar a vida, mas quando paro de rever os erros do passado, começo a temer pelos erros do futuro e nem seu bem se vivo ou se espero viver essa vida que é minha, só minha e que não há ninguém que se dê ao trabalho de entender. Quanto à carta eu rasguei e rasgarei também esses escritos que de nada servem. Nada que escrevo serve. Não serve para você, não serve para mim, até mesmo para escrever eu minto e minto tanto que não há verdade nenhuma em nada que se lê.

9 Palpites relevantes:

Silvia C. Barbosa | 13 de abril de 2010 19:59

Maravilhoso. Me identifiquei muito.
Beijos

M. | 13 de abril de 2010 20:48

Caraca, Fê..eu juro que estava me preparando para fazer um post sobre isso. :O

Tô passando por algo parecido,e como boa geminiana, o lance é desabafar. rssrrssr

Adorei teu blog..mto mesmo. ;)

HSLO | 13 de abril de 2010 22:11

Bem escrito..parabéns.


abraços
de luz e paz

Hugo

J. | 14 de abril de 2010 22:53

Gostei. Vou guardar pra ler daqui a um tempo, quando esse tempo já tiver feito efeito em mim.

Beijos.

Hamilton H. Kubo | 15 de abril de 2010 21:59

Olá Fê, estou aqui para agradecer sua visita.
E realmente, o Teatro Mágico nos da um UP.
Bom, não pude deixar de ler seus escritos.
Quanto a ele me prendi nos dizeres em temer os erros do futuro.
Creio que em nosso intimo todos somos temerários a ele.
No entanto, so notaremos que terá sido um erro em um futuro mais distante ainda.
Desta forma concluímos que apenas devemos viver.
Simples assim não acha? (Como se isso fosse extremamente fácil.. rsrs)

Bom deixando de bobeiras, gostei de suas palavras pois retratam de fato a pessoa achada, existem nelas um peso que não nos é transparente, mas sendo honesto notei que tem algum sim.

Os escritos nem todos merecem ser rasgados, alguns (acredito eu) devem perdurar.
Pois da mesma forma que encontramos, antigos sem sentidos outros tantos so os farão no futuro.

Beijos!
Permita-me acompanha-la.

Naty Araújo | 15 de abril de 2010 22:18

Eita.. eu li duas vezes, acredita?

O que vc escreve tem importância sim, por mais que não seja real... Não sei... é algo que me toca sempre que leio.
Adoro... me arrepiei lendo isso.

Beijos.

Claudio Justo | 16 de abril de 2010 10:55
Este comentário foi removido pelo autor.
Claudio Justo | 16 de abril de 2010 10:56

"Não há verdade nenhuma em nada que se lê". Talvez seja a maior verdade das que tenho lido recentemente. Me fez lembrar daquele esquema de "leitor modelo". Se escrevo para um modelo, não escrevo o que quero. Se o que leio tinha um modelo previsto, o texto não é sincero, não é puro, não é natural. E foi aqui que entendi o que Deleuze (daquele texto)dizia sobre o silêncio e porque os "cachorros cantores são tanto mais cantores à medida que não cantam", em referência à Caroll. É como o canto VII do "Altazor", do Huidobro, quando ele, cançado de tanto dizer, resolver falar em uma língua inventada que ninguém conhece.

Fê Colcerniani Justo | 16 de abril de 2010 14:47

Amor, nossa, é isso ai... Se escrevemos p um alguém, escondemos ou afloramos sentimentos desmedidos e q não traduzem o real...
Muito bacana esses estudos! Adorooo!

Sobre o resto q vc escreveu, não sei do que se trata! hahahaha
bjs